Ninguém nunca é de ninguém. Se eu te dissesse sou deste mundo estaria mentindo, porque ninguém é. Nós nascemos e antes disso somos aclamados por pessoas que esperam a nossa vinda, sem saber que num futuro muito distante, estaremos fadados à não sermos de ninguém.
Nunca seremos do nosso irmão, dos nosso avós, dos nossos tios, dos nossos pais e nem da nossa mãe. Isso mesmo, da nossa mãe. É duro dizer que nunca a pertenceremos, quase ninguém concordaria com isso. Mas à partir do momento em que estamos começando a sair mundo a fora e termos os primeiro contatos com pessoas para vivermos novas experiências, novos amores, perder a virgindade, conseguir o primeiro emprego, ter vida financeira, se formar na faculdade e etc, já estaremos saindo da nosso habitat e deixando de ser da mãe, porque ela também já deixou de ser da mãe dela há muito tempo.
Nunca seremos dos nossos primos, por mais que sejam como irmãos. Nunca seremos do lugar de onde nascemos, pois dele um dia iremos sair. Nunca seremos do próximo lugar onde iremos morar, pois dele um dia também iremos sair, ou morreremos nele, sem continuar pertencendo-o. Nunca seremos da namorada, da mulher ou da ficante, pois da namorada poderemos terminar, da mulher poderemos separar, e da ficante poderemos trocar. A evidência mais clara de que nunca seremos de ninguém é com relação aos amigos, como quando em algum momento poderão deixar de ser, por inúmeros motivos.
Não exponho aqui Niilismo, depressão ou qualquer tipo de emoção negativa. É a mais pura verdade. Poderemos viver intensamente, sem demasiados bloqueios, restrições ou medo de amar. Talvez a maior graça seja viver sabendo que não temos dono.

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